Olá, eu sou a Dra. Tatiana Gabbi, médica dermatologista e hoje estou aqui para falar de um assunto muito importante: cabelo caindo depois de contrair o COVID-19.

No dia 16/09/2020, tive a honra de participar do Jornal da Rede ALESP para falar sobre essa queda de cabelo depois de contrair o coronavírus.

O assunto é tão importante e merece a nossa atenção de um jeito tão especial, que resolvi trazer aqui para o blog também.

É só continuar comigo até o final e conferir as perguntas e respostas mais importante sobre o cabelo caindo depois de contrair COVID-19. Vamos lá!

Qual é a relação entre o COVID-19 e o cabelo caindo?

A célula da papila, responsável pelo crescimento dos fios é muito sensível a várias alterações que podemos ter no nosso organismo.

Febres, uso de medicamentos e outras situações que prejudicam a nossa vida, sinalizam para a papila que está na hora de parar de produzir cabelos.

Isso porque essa produção despende energia e, em momentos como esses, devemos guardar energia para lutar contra a doença, problemas e alterações presentes.

Toda vez que tiver um evento desses, demora cerca de 3 meses para ter a sinalização leve, que é o cabelo caindo.

Isso significa que, para os que tiveram coronavírus, em torno de 3 meses terá uma acentuação da queda do cabelo normal.

Como funciona a relação entre vírus e calvície?

A calvície é uma doença sem relações com cabelo caindo. O termo técnico é alopecia androgenética.

Existem alguns estudos mostrando que as pessoas com tendência à calvície (alopecia), com aumento provável de alguns receptores, teriam uma susceptibilidade maior a desenvolver a COVID.

Ainda são estudos, não há nada comprovado, mas servem como alerta para a comunidade médica observar se esse cenário realmente está acontecendo; antes, era apenas uma teoria.

Já para as pessoas com maior possibilidade de desenvolver uma calvície, se tiverem queda de cabelo, a susceptibilidade se acentua.

 

Por exemplo:

O paciente tem alopecia androgenética, a família tem calvície, entre os 30 a 40 anos de idade vai acabar evoluindo para isso.

Se ele contrair a COVID-19 e tiver uma queda muito bruta de cabelos, isso vai acelerar o desenvolvimento do quadro caso não faça o tratamento.

A minha dica para quem observou o cabelo caindo mais que o normal é procurar o médico dermatologista, de preferência quem já tem maior especialidade nessa área e costuma tratar cabelos.

O especialista indicado é o tricologista, médico dermatologista que se direciona para essa área de cuidados com cabelos.

O paciente será examinado e o médico vai avaliar se existe ou não essa possibilidade, entrando com o tratamento o quanto antes, caso o paciente ainda não esteja fazendo isso.

Não existe chance de desenvolver a calvície por causa do coronavírus, mas esse processo pode acabar acelerando se você já tiver alopécia, tiver uma queda de cabelo, e não estiver fazendo tratamento.

 

Os medicamentos usados para o tratamento da doença podem acentuar a queda ou não tem relação?

Tem uma série de medicamentos usados no tratamento contra a COVID-19, porque ela é grave nos pacientes e que vai levar, muitas vezes, à internação na UTI, ventilação mecânica e ainda existe o risco de infecções.

Ou seja, não podemos culpar muito a medicação, sendo que a pessoa está sendo tão desafiada no ponto de vista de sobreviver à COVID.

Então, pessoas que tiveram formas mais graves da doença correm mais risco de ter os cabelos caindo em 3 meses do que os pacientes que tiveram formas mais leves.

De qualquer maneira, qualquer remédio pode, em um ou outro indivíduo, acentuar a queda. Ou seja, não existe um medicamento que vai causar a queda para todo mundo, mas existem medicamentos que, em algumas pessoas, vão levar a esse sintoma.

Não podemos dizer que os medicamentos que estão sendo a causa do cabelo caindo, mas, pelo fato da doença ser grave e ter várias coisas associadas a ela, tudo isso pode contribuir para a queda.

 

Quando saber que o cabelo caindo é sinal de algo mais grave e que está na hora de procurar um médico?

Sabemos que a queda de fios é normal e cada pessoa, geralmente, sabe o padrão do cabelo caindo que tem no cotidiano.

Além disso, sempre temos os cabelos em ciclos diferentes do ciclo capilar. Um exemplo disso é só reparar que não temos uma época do ano em que ficamos carecas; ou seja, nossos fios estão sempre em fases diferentes desse ciclo capilar.

Cada fio é como se fosse um órgão individual, seguindo o ciclo do cabelo, que é nascimento, crescimento e morte, individualmente.

Existem pessoas com mais cabelos e outras com menos cabelos. Sempre temos uma porcentagem desses fios que estão na fase de queda; o comum é na faixa de 100 a 150 fios caindo por dia.

Quem não lava os cabelos todos os dias, vai notar cabelo caindo em maior quantidade quando for lavar, porque juntou o cabelo dos dias anteriores. Se a pessoa tem cabelo comprido, pode ser que ele enrosque no próprio fio e acaba caindo na hora de lavar.

Quem está com o cabelo caindo acima do normal acaba percebendo a diferença nítida entre a quantidade que normalmente cai e a queda acentuada.

Além disso, a região frontal (no início do cabelo, em torno do rosto), algumas entradas vão começando a se formar; então, é importante observar o couro cabeludo nessas áreas.

Isso só acontece com uma queda acima de 30%, dando para perceber as falhas. Antes disso, você só nota a queda.

 

O cabelo caindo em homens e mulheres com COVID-19 é igual? Atinge mais a um grupo ou outro?

Geralmente, chamamos tudo de “queda de cabelo”, mas existem distinções entre cada caso. São vários casos que acometem o couro cabeludo e que impactam a saúde dos cabelos.

Os médicos devem fazer essa diferença entre queda de cabelo e falha do couro cabeludo.

A queda que os homens se queixam, geralmente, é a calvície masculina (alopecia androgenética); nesse caso, tem sim um comprometimento das mulheres, mas ela é só parecida, semelhante, mas não é a mesma doença.

Antigamente, era chamado de alopecia androgenética padrão feminino. Atualmente, o termo que estamos usando é alopecia de padrão feminino; de qualquer maneira, é uma doença de padrões genéticos que vai levar à rarefação dos fios.

Ou seja: você vai ver na cabeça a ausência de cabelos, pedaços com cabelo faltando. Na mulher, vemos isso sempre na risca central da cabeça; no homem, é mais nas entradas ou o cocuruto sem cabelo.

É nesse sentido que estou dizendo que a doença não tem a ver com o COVID-19. O coronavírus dá uma doença chamada Eflúvio (que é a queda acentuada de cabelo), podendo acontecer 3 meses depois de qualquer coisa fora do normal na sua vida – como vimos no começo do artigo.

A recomendação é: se você notar o cabelo caindo com uma queda muito acentuada, procure um médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); ele está apto a fazer o diagnóstico e verificar se há chance de desenvolver a doença ou se você já tem e qual o tratamento ideal.

Tem dúvidas ainda sobre o cabelo caindo depois de contrair COVID-19? Acha que os fios estão em queda de forma acentuada? Posso te ajudar. Clique aqui e marque uma conversa comigo!

 

Postado por Dra. Tatiana Gabbi

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A quarentena mudou hábitos e instituiu novas rotinas que podem interferir até na saúde dos cabelos. Pode parecer brincadeira, mas não é. Muitos que estão em casa passaram a lavar menos a cabeça e, quando o fazem, notam uma perda acentuada de fios. Por outro lado, em virtude do isolamento, o estresse e a ansiedade também contribuem para a intensificação desse problema.

Quem faz essas afirmações é Tatiana Gabbi, médica e assessora do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Ela ainda complementa que “as emoções podem estar na gênese de várias doenças de pele e de cabelo. O nível elevado de estresse pode levar a uma queda de cabelo de forma aguda. Isso já foi relatado na literatura e, inclusive, foi observado neste momento de isolamento social.”

Mas, de acordo com ela, a queda de cabelo é multifatorial. “Não é uma única doença que a causa. Sempre que o paciente apresenta esta queixa é preciso verificar se ele está perdendo cabelo ou se está visualizando áreas na cabeça sem cabelo. Isso abre um leque para doenças que causam cada um dos problemas. A maior parte delas é de ordem genética e autoimune”, diz.

Ela cita que, embora seja complexo falar em cura, há tratamento para a maioria dos tipos de queda de cabelo diagnosticados hoje em dia.

“O que é possível fazer, no início dos sintomas, é procurar o dermatologista para fazer um tratamento, chamado de prevenção secundária. Com a detecção do problema, começamos a tratar precocemente para obter um resultado melhor”, relata.

Ela observa que se o paciente é muito estressado há diversas formas de abordar o problema. “Eu procuro orientá-lo a comer em horários predeterminados para ajustar o relógio biológico, a ter contato com a natureza, a diminuir o uso de eletrônicos à noite em casa, a tentar dormir e acordar mais cedo, pois dormir melhor reduz o estresse, e encaminho os pacientes com quadros mais graves para tratamento com especialistas. Isso ajuda bastante”, esclarece.

 

O que é a calvície?

É a ausência, diminuição do número de dios ou queda, transitória ou definitiva, dos cabelos ou pelos. Ela afeta mais os homens e pode ocorrer de forma local ou total.  Os casos são mais raros em mulheres e nelas a perda tender a ser menos drástica.

 

Quais os principais sintomas?

Cabelos caindo mais depressa, em maior quantidade ou em tufos nos últimos meses, sinais de caspa nas roupas e nos fios, couro cabeludo avermelhado, apresentando coceira ou ardência, e oleosidade muito acima do normal.

 

Quais as causas?

Agente Externo: a perda pode ocorrer por tração. É o caso de quem usa rabo de cavalo muito apertado, apliques ou tranças que prendem e puxam o cabelo. Isso pode fazer com que ocorra perda crônica de cabelos da região que está sendo tracionada e, neste local, o cabelo pode não voltar a nascer.

Medicamentosas: alguns anticoagulantes, remédios psiquiátricos, anticonceptivos orais e tratamentos de quimioterapia podem provocar perda da espessura do cabelo e a sua queda.

Metabólica e Nutricional: a má nutrição pode causar a queda. O cabelo pode ficar seco, frágil e quebradiço e até mudar de cor.

Endócrinas: o hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios) e o hipotireodismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) podem influenciar na queda de cabelo.

 

Quais os tratamentos para a queda do cabelo?

Existem várias formas de tratamento: podem ser administrados medicamentos sistêmicos, tópicos, prescrito o uso de lâmpadas LED ou laserterapia, mas, antes de instituir qualquer um deles, o correto é procurar um dermatologista que encontra a causa da alopecia e inicie o tratamento adequado para evitar agravamento do quadro.

 

Quais as recomendações?

Não use medicamentos por conta própria ou produtos que prometem curas milagrosas, pois os efeitos adversos podem ser sérios. Procure um dermatologista ao notar que há alguma alteração no ritmo de crescimento dos fios, uma queda muito significativa que não está melhorando com o tempo ou buracos no cabelo. Há alopecias altamente inflamatórias e, se o tratamento não for iniciado rapidamente, há grande risco de ocorrer perda de fio na região e dela não recuperar.

 

Caspa causa queda de cabelo?

A caspa não causa calvície, mas a presença de dermatite seborreica pode aumentar a inflamação que existe, piorando o aspecto que o paciente vai ter dessa perda de cabelos. É importante sempre fazer o tratamento das duas doenças concomitantemente.

 

Como a calvície é identificada?

Muitas vezes, o dermatologista vai fazer a identificação da doença por meio da história contada pelo paciente, de exame dermatológico e também por meio da tricoscopia (uso de um aparelho para evidenciar, com lente de aumento, alterações no couro cabeludo). A biópsia também pode ser feita.

 

Quais os tipos mais comuns?

Alopecia areata
Conhecida popularmente como a “pelada”, é uma doença autoimune caracterizada pela perda de cabelo ou de pelos em áreas arredondadas ou ovais do couro cabeludo ou em outras partes do corpo, como cílios, sobrancelhas e barba. Ela afeta ambos  os sexos e todas as etnias. A sua causa é desconhecida, mas o distúrbio pode surgir em qualquer idade e está muito relacionado a situações de estresse.

 

Alopecia androgenética
Também é chamada de “calvície comum” e ela corresponde a quase 90% das alopecias atendidas nos consultórios dermatológicos. Geneticamente determinada, possui alterações decorrentes de herança familiar e está associada ao estímulo androgênico (testosterona) de cada um. Ela tem início depois da adolescência e é progressiva

 

Alopecia difusa ou eflúvio telógeno
É a perda aguda e progressiva do cabelo após doenças crônicas ou febris, estresse emocional e parto, no caso das mulheres. O cabelo se desprende facilmente ao se fazer alguma tração nele. Ela não produz uma calvície total, mas os fios ficam escassos e com um aspecto muito liso.

 

Alopecia frontal fibrosante
É uma forma de alopecia cicatricial progressiva e, frequentemente, irreversível. Ela acomete a região em que começa o couro cabeludo, na fronte (parte da franja), e também a sobrancelha. Alguns pacientes se queixam de coceira, dor ou ardência na região anterior do couro cabeludo. Sua causa ainda é desconhecida.

 

Gostaram? Espero que vocês tenham gostado. Se vocês ficaram com mais dúvida, vocês podem me seguir nas redes sociais e, por lá, eu vou esclarecer mais dúvidas para vocês. Ou entre em contato e agende a sua consulta.

Obrigada e até a próxima!

Postado por Tatiana Gabbi

Fonte: Universal | www.universal.org

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