Dra. Tatiana Gabbi

O Formato das Unhas: Quando é Genético e Quando Investigar

Dermatologista examinando unhas de paciente com dermatoscópio.

As unhas, muitas vezes vistas como um mero detalhe estético, são, na verdade, estruturas complexas que podem revelar muito sobre nossa saúde geral. Assim como a cor dos olhos ou o tipo de cabelo, o formato das unhas é, em grande parte, determinado pela nossa genética. É comum observar características ungueais semelhantes entre membros da mesma família, como unhas mais largas, mais estreitas ou com uma curvatura específica. No entanto, nem toda alteração na aparência das unhas é inofensiva ou apenas uma questão de herança. Discernir entre uma característica inata e um sinal de alerta para uma condição subjacente é crucial para a manutenção da saúde e para a busca de um tratamento adequado, quando necessário.

Muitas pessoas convivem com um determinado aspecto das unhas por toda a vida, sem que isso represente qualquer problema. Contudo, mudanças repentinas ou progressivas na morfologia ungueal podem indicar diversas condições, desde deficiências nutricionais e infecções até doenças sistêmicas mais graves. Compreender essa distinção é o primeiro passo para cuidar bem das unhas e, por extensão, da saúde geral.

Este artigo visa esclarecer quando as características das unhas são apenas herdadas e quando podem sinalizar a necessidade de uma investigação mais aprofundada por um profissional da dermatologia.

1. A Estrutura das Unhas e a Influência Genética

O aspecto de nossas unhas é moldado principalmente pela matriz ungueal, a parte da unha que fica sob a cutícula e é responsável pela sua produção. A genética desempenha um papel fundamental na determinação de características como a espessura da lâmina ungueal, a largura, o comprimento, a curvatura e até mesmo a velocidade de crescimento. É por isso que irmãos ou pais e filhos frequentemente compartilham unhas com aspectos semelhantes.

  • Variações Genéticas Comuns:
    • Unhas mais largas ou mais estreitas: Algumas pessoas nascem com leitos ungueais naturalmente mais amplos ou mais finos.
    • Curvatura acentuada (unhas em telha): Uma curvatura lateral mais pronunciada, que pode ser totalmente benigna se não houver dor ou inflamação.
    • Unhas planas: Ausência de curvatura, conferindo um aspecto mais reto à lâmina.
    • Lúnula proeminente ou ausente: A lúnula, aquela meia-lua branca na base da unha, varia em tamanho e visibilidade geneticamente.

Essas características, quando presentes desde o nascimento ou desde a infância e sem qualquer sintoma associado, como dor, inflamação, mudança de cor ou separação da unha do leito, são geralmente consideradas variações normais e não requerem intervenção. A saúde ungueal, nesse contexto, é avaliada pela ausência de sinais de doença, independentemente de seu aspecto específico.

2. Sinais de Alerta: Quando o Aspecto Ungueal Indica Mais que Genética?

Embora a genética determine o aspecto base das unhas, alterações adquiridas podem indicar problemas de saúde. É crucial estar atento a mudanças que surgem ao longo do tempo, especialmente se forem acompanhadas de outros sintomas. Diferentemente das características genéticas, que são estáveis, as alterações patológicas geralmente representam uma modificação do padrão habitual da unha.

Alterações Comuns e Suas Possíveis Causas:

  • Unhas em Baqueta de Tambor (Clubbing): Caracterizadas por um aumento do ângulo entre a unha e a cutícula, com as pontas dos dedos e unhas arredondadas e bulbosas. Pode estar associado a doenças pulmonares (câncer de pulmão, fibrose cística), cardíacas (cardiopatias congênitas), hepáticas ou inflamatórias intestinais.
  • Unhas em Colher (Coiloníquia): As unhas ficam côncavas, com as bordas elevadas, formando uma depressão central que pode reter uma gota de água. Frequentemente associada à deficiência de ferro (anemia ferropriva), mas também pode ser genética ou causada por trauma.
  • Onicólise: Separação da lâmina ungueal do leito da unha, começando geralmente pela ponta. Pode ser causada por trauma, infecções fúngicas (onicomicose), psoríase, doenças da tireoide ou reações a produtos químicos.
  • Onicogrifose: Espessamento e curvatura excessiva da unha, que se assemelha a um chifre ou garra. Geralmente afeta as unhas dos pés e é comum em idosos, podendo ser resultado de trauma crônico, má circulação ou negligência.
  • Pitting (Depressões Pontuais): Pequenas depressões na superfície da unha, como se tivessem sido picadas. Frequentemente associado à psoríase, mas também pode ser visto em casos de alopecia areata ou eczema.
  • Linhas de Beau: Sulcos horizontais que atravessam a lâmina ungueal. Indicam uma interrupção temporária no crescimento da unha devido a doenças sistêmicas graves, febre alta, quimioterapia, trauma ou deficiências nutricionais.
  • Melanoníquia: Faixas escuras (marrons ou pretas) longitudinais na unha. Embora muitas vezes benignas (melanoníquia racial), podem, em casos raros, indicar um melanoma subungueal, exigindo uma avaliação dermatológica atenta.

A presença de qualquer uma dessas alterações, especialmente se for nova, progressiva ou acompanhada de dor, inchaço ou vermelhidão, justifica uma avaliação médica. Um dermatologista pode determinar se a mudança é benigna ou se requer investigação e tratamento.

3. A Avaliação Dermatológica das Unhas

Quando há preocupação com o aspecto das unhas, a avaliação por um dermatologista é fundamental. O especialista em dermatologia possui o conhecimento aprofundado para diferenciar variações genéticas de condições patológicas, oferecendo um diagnóstico preciso e um plano de tratamento adequado. A consulta geralmente envolve uma abordagem multifacetada.

  • Anamnese Detalhada: O médico coletará informações sobre seu histórico de saúde, incluindo doenças preexistentes, medicamentos em uso, hábitos (como roer unhas ou uso de calçados apertados), histórico familiar de problemas nas unhas e a cronologia das alterações observadas. Perguntas sobre sintomas associados, como dor, coceira ou febre, também são cruciais.
  • Exame Físico Minucioso: Além da inspeção visual das unhas das mãos e dos pés, o dermatologista examinará a pele circundante, a cutícula e, em alguns casos, outras áreas da pele e o couro cabeludo, buscando sinais de doenças dermatológicas que possam afetar as unhas, como psoríase ou líquen plano. A avaliação da saúde capilar (tricologia) também pode ser relevante, pois algumas condições afetam tanto unhas quanto cabelos.
  • Dermatoscopia: Utilizando um dermatoscópio, um aparelho que amplia a imagem e permite visualizar estruturas que não são visíveis a olho nu, o médico pode examinar a lâmina ungueal, o leito e a matriz com maior detalhe, auxiliando na identificação de infecções fúngicas, traumas ou lesões pigmentadas.
  • Exames Complementares: Dependendo da suspeita clínica, podem ser solicitados exames como:
    • Micológico Direto e Cultura: Para identificar a presença de fungos em casos de onicomicose.
    • Biópsia Ungueal: Em situações de dúvida diagnóstica, especialmente para lesões pigmentadas ou doenças inflamatórias, um pequeno fragmento da unha ou do leito ungueal pode ser removido para análise histopatológica.
    • Exames de Sangue: Para investigar deficiências nutricionais (como anemia ferropriva), doenças da tireoide ou outras condições sistêmicas que possam se manifestar nas unhas.

A Dra. Tatiana Villas Boas Gabbi, em seu consultório no Itaim Bibi, São Paulo/SP, oferece essa expertise, proporcionando uma avaliação completa para identificar a causa das alterações ungueais e propor o tratamento mais eficaz, seja para onicopatias, problemas de pele ou queda de cabelo.

4. Mitos e Verdades sobre a Saúde das Unhas

Existem muitas crenças populares sobre as unhas que nem sempre correspondem à realidade científica. Desmistificar essas ideias é importante para evitar preocupações desnecessárias ou, o que é mais grave, negligenciar sinais importantes.

Mitos Comuns:

  • “Manchas brancas nas unhas são sempre falta de cálcio”: Falso. Na maioria dos casos, as pequenas manchas brancas (leuconíquia pontuada) são resultado de microtraumas na matriz ungueal, que ocorrem durante o crescimento da unha. A deficiência de cálcio raramente se manifesta dessa forma.
  • Unhas fracas e quebradiças são sempre falta de vitamina”: Parcialmente falso. Embora deficiências nutricionais (como biotina ou ferro) possam afetar a força das unhas, a fragilidade ungueal é frequentemente multifatorial, podendo ser genética, resultado de exposição excessiva à água e produtos químicos, uso inadequado de esmaltes e removedores, ou até mesmo um sinal de doenças dermatológicas como psoríase ou líquen plano.
  • “Cortar a cutícula fortalece a unha”: Falso. A cutícula é uma barreira protetora natural contra infecções. Removê-la pode abrir portas para bactérias e fungos, enfraquecendo a unha e a tornando mais suscetível a problemas. O ideal é empurrá-la delicadamente.

Verdades e Cuidados Essenciais:

  • Hidratação é fundamental: Assim como a pele, as unhas e as cutículas se beneficiam da hidratação regular. Use cremes específicos para mãos e unhas ou óleos vegetais.
  • Proteção contra traumas: Evite roer as unhas, usar as unhas como ferramentas e proteja-as com luvas ao manusear produtos de limpeza ou realizar tarefas domésticas.
  • Dieta equilibrada: Uma alimentação rica em vitaminas, minerais e proteínas é essencial para a saúde geral do corpo, incluindo unhas, pele e cabelos.
  • Atenção aos produtos: Opte por esmaltes e removedores de boa qualidade, preferencialmente sem formaldeído e tolueno, que podem ressecar e fragilizar as unhas.

A vigilância e os cuidados diários são a primeira linha de defesa para manter a saúde das unhas. No entanto, quando as mudanças persistem ou causam desconforto, a avaliação profissional é insubstituível.

5. Quando Procurar um Especialista para as Suas Unhas

Saber quando uma alteração no aspecto das unhas exige atenção médica é crucial para um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz. Embora muitas variações sejam benignas e genéticas, há sinais claros de que uma consulta com um dermatologista é recomendada.

Você deve procurar um especialista se observar:

  • Mudanças Repentinas ou Progressivas: Qualquer alteração no aspecto, cor ou textura da unha que surja de forma inesperada ou que piore com o tempo, especialmente se não houver um trauma evidente.
  • Dor, Inchaço ou Vermelhidão: Sinais de inflamação ou infecção ao redor da unha ou no leito ungueal.
  • Descolamento da Unha (Onicólise): Se a unha começar a se separar do leito, seja na ponta ou nas laterais.
  • Alterações de Cor Inexplicáveis: Manchas escuras (marrons ou pretas), coloração amarelada, esverdeada ou azulada que não desaparecem.
  • Espessamento ou Fragilidade Excessiva: Unhas que se tornam muito grossas e difíceis de cortar, ou que ficam excessivamente finas e quebradiças sem motivo aparente.
  • Deformidades Graves: Unhas que crescem de forma distorcida, com sulcos profundos ou que se curvam de maneira acentuada, causando desconforto ou dor.
  • Sintomas Associados: Se as alterações nas unhas vierem acompanhadas de outros sintomas sistêmicos, como febre, fadiga, perda de peso ou problemas em outras partes do corpo (pele, cabelo, articulações).
  • Suspeita de Infecção: Se houver sinais de infecção fúngica (onicomicose), como descoloração, espessamento e fragilidade, ou bacteriana (paroníquia), com pus e dor.

A avaliação profissional permite identificar a causa subjacente e iniciar o tratamento adequado, que pode variar desde o uso de medicamentos tópicos ou orais para infecções e doenças inflamatórias, até procedimentos como a cirurgia ungueal para casos específicos, como unhas encravadas recorrentes, tumores ou biópsias. Não subestime a importância de um diagnóstico preciso. Em locais como o Itaim Bibi, São Paulo/SP, há acesso a especialistas qualificados para cuidar da sua saúde ungueal.

Em suma, as características das unhas são predominantemente genéticas, mas a vigilância para mudanças é um ato de autocuidado essencial. Reconhecer a diferença entre uma característica herdada e um sinal de alerta pode ser determinante para a sua saúde. Ao menor sinal de alteração preocupante, a busca por um dermatologista é o caminho mais seguro para um diagnóstico correto e um tratamento eficaz, garantindo não apenas a beleza, mas a saúde integral de suas unhas.

Para esclarecer dúvidas ou avaliar a melhor conduta para o seu caso, a equipe está à disposição.

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Dra. Tatiana Villas Boas Gabbi — Dermatologista em São Paulo/SP | CRM-SP 104415 | RQE 31137
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